Desde que passou por uma reestruturação, uma nova técnica para organizar o serviço oferecido no Pronto Atendimento (PA) foi implantada: trata-se do método de Manchester. É um sistema de triagem que tem como objetivo definir as prioridades no atendimento. O paciente recebe uma ficha na cor vermelha, amarela, verde ou azul, de acordo com a gravidade do caso. Porém, usuários do serviço reclamam da demora no atendimento. Para a equipe que trabalha no PA, alguns casos que chegam até o local poderiam ser solucionados nas unidades básicas de saúde.

De acordo com ele, é preciso compreender que pronto atendimento é um serviço de emergência e não um consultório vinte e quatro horas e que o método utilizado não é nada inventado, mas existe e funciona na maioria das cidades. Segundo a enfermeira coordenadora do PA, Franciele Casanova, sempre que surgem emergências, os atendimentos médicos precisam esperar.
- A ordem de atendimento é a gravidade do caso e não quem chegou primeiro. Segunda-feira, dia 12, atendemos três emergências: um paciente que caiu de um andaime de três metros, um infartado que estava esperando transporte para fazer um cateterismo e outro convulsionando. Esses atendimentos levam certo tempo. Na pessoa que caiu, por exemplo, foram feitos suturas, curativos e tomografia. Então quem estava lá teve que esperar mesmo, tem casos, como este que não podem ficar aguardando, tem prioridade. Mas todas as pessoas que procuram o Pronto Atendimento são acolhidas - explica a enfermeira.
O médico do PA disse ainda que muitos usuários não entendem esse método e tentam intimidar a equipe dizendo que ligarão para uma ou outra autoridade, caso não sejam atendimentos de imediato.
- Atendemos de 100 a 130 pessoas por dia, é essencial adotarmos uma maneira para organizar o serviço. No dia 27 de julho, atendemos 139 pacientes, de todas as áreas da cidade, que deveriam ter sido atendidos pelas unidades básicas de saúde. Quando o caso não é grave e pode ser resolvido na unidade, orientamos que procurem o ESF. Acontece ainda casos inusitados, como pessoas que procuram o serviço do PA para tratar de oleosidade no couro cabeludo, espinhas pelo corpo, dor de dente e por aí vai. Essas pessoas serão atendidas, não irão ficar desassistidas, mas certamente terão que esperar - disse o médico.
Outro problema apontado por ele é que os pacientes do SUS não querem tirar ficha hoje e ser atendido amanhã ou daqui dois dias, por isso procuram o Pronto Atendimento.
- Num outro plantão, durante a madrugada, atendemos um casal que chegou com os três filhos pequenos, o menor realmente estava febril. O pai disse que acordou e resolveu ir com a família para o PA, porque naquele horário (3 horas) não tinha que esperar para ser atendido e todos poderiam passar por um check-up. Entendemos que as pessoas precisam ser orientadas e as unidades básicas precisam ter mais resolutibilidade - conta Chedid.
Segundo a secretária da Saúde, Rosane Abadalla, o município conta com quinze médicos, treze concursados e dois contratados, que atendem a Policlínica e as cinco unidades de ESFs.
- Por enquanto, é isso que o município tem para oferecer na rede pública. Gostaríamos que cada usuário consultasse com o médico que mais lhe agrada, mas isso não é possível.
A secretária explica ainda que os médicos atendem por fichas e não por horário, conforme determinação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e que cada um atende entre 12 e 15 pacientes nas unidades básicas, mas sempre que solicitados pela Prefeitura, fora deste horário, recebem os pacientes em seus consultórios particulares.
- Uma minoria não é solícita. Estamos reestruturando a área. Vamos implantar o Plano Municipal de Saúde, onde toda a comunidade está convidada a fazer parte, dando sua opinião ou sugestão - disse a secretária.
Fonte: Gazeta de Caçapava
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